SUGESTÕES DA SEMANA

07/11/2025 — Sugestão da Semana por Ana Teresa Martins | Predictive value of fetal Doppler velocimetry, fetal growth trajectory and maternal serum biomarkers for short-term adverse perinatal outcome: secondary analysis of DRIGITAT study

Por Ana Teresa Martins | Assistente Hospitalar Graduada de Obstetrícia e Ginecologia – Unidade de Ecografia e Diagnóstico Pré-Natal – Serviço de Obstetrícia- ULS Santa Maria

A restrição do crescimento fetal (RCF) é uma complicação frequente da gravidez, associada a elevada mortalidade e morbilidade perinatal. O principal desafio reside em identificar fetos pequenos em risco de desfechos neonatais adversos e prevenir mortes fetais inesperadas.

Em 2016, um consenso internacional baseado no método Delphi definiu critérios para diferenciar a RCF de causa placentária dos fetos constitucionalmente pequenos, uniformizando a prática clínica e científica e sendo posteriormente incorporado nas guidelines das sociedades de obstetrícia europeias e canadiana. Este consenso estabeleceu variáveis biométricas e funcionais para o diagnóstico da RCF; contudo, a inclusão de biomarcadores séricos maternos, como o fator de crescimento placentário (PIGF) e a Fms-like tyrosine kinase-1 (sFlt-1), não foi consensual.

Este artigo teve como objetivo avaliar o valor preditivo desses biomarcadores para desfechos perinatais adversos em fetos pequenos para a idade gestacional diagnosticados a partir das 32 semanas utilizando dados do estudo DRIGITAT22, um estudo de coorte holandês, multicêntrico e prospetivo. Foram incluídas 440 participantes com doseamento sFlt-1 e PlGF na inclusão. O modelo final, que integrou o peso fetal estimado, a razão sFlt-1/PlGF e o maior valor do índice cérebro placentário invertido, apresentou uma AUC de 0,75 (IC 95%, 0,70–0,81), com sensibilidades de 35,6%, 44,2% e 63,5%, para taxas de falsos positivos de 5%, 10% e 25%, respetivamente.

Os autores concluem que a adição dos biomarcadores contribui para uma melhor deteção da insuficiência placentária. Entre os pontos fortes destacam-se a dimensão da amostra e o uso de dados de uma coorte prospetiva multicêntrico. Contudo, dado que o estudo DRIGITAT22 não foi concebido para desenvolver um modelo de predição, estes resultados requerem validação antes da aplicação clínica. Futuros estudos devem focar-se em distinguir fetos constitucionalmente pequenos dos verdadeiramente restritos e os clínicos devem estar atentos ao risco de morte intraparto associada à hipóxia de rápida evolução.